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No caixa 24 horas

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Atravesso a rua apressada e entro no banco. Já é tarde e ainda tenho que passar no supermercado e no açougue antes de voltar pra casa. Vou tirar algum dinheiro pra deixar em casa para alguma eventualidade no final de semana. Passo pela porta e…

Foi eu entrar no saguão do Bradesco e esquecer a porcaria da senha de letras. E meu cartão já foi bloqueado da última vez que tentei acessar sem lembrar a senha. Que droga! Nem posso tentar porque o horário de atendimento do banco já encerrou, é sexta-feira e se eu bloquear a merda do cartão vou passar o fim de semana sem um puto no bolso!

Dou uns passos indecisos no saguão, assim como quem não quer nada. Nada. A senha sumiu mesmo de minha memória. Praguejo baixinho comigo mesma. Será que estou com Alzheimer? Não é possível!

Tenho uma idéia: vou até o caixa eletrônico e faço de conta que vou passar o cartão, quem sabe consigo lembrar a senha de forma automática? Vai, Zailda! Força que você consegue.

Que nada, olho pra ele, ele olha pra mim. De repente noto algo estranho. Que merda! Não é que trocaram de novo todas as máquinas? Mas não é possível, estive aqui a menos de uma semana! Olho de novo à minha volta. De repente, outra surpresa: o que é que essa faixa do Banco do Brasil está fazendo ali? Que coisa estranha… Será que o Banco do Brasil vai comprar o Bradesco também?

Mas que droga! Entrei no banco errado! E ainda fiquei na fila! Dou meia-volta, saio do banco, ando uns metros e entro no banco certo dessa vez. Tem fila. Outra fila, que porcaria! Fazer o que? Tenho que ficar na fila de novo, quem mandou entrar no banco errado?

Dessa vez eu lembrei a senha…

(zailda coirano)

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“Geraldo” Kassab

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Quem fala muito dá bom dia a cavalo, bem já dizia minha santa e defunta vovózinha… Que fora, hein? Ainda bem que não sou a única que fala coisas que depois preferia não ter dito. Algumas que apronto me fazem desejar nem ter levantado da cama naquele dia!

Eu e minha boca grande

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Já te aconteceu de dar um fora daqueles, mas daqueles bem fora mesmo, daqueles que a gente depois não sabe como consertar? E vai explicar depois, que não é bem isso que a gente quer dizer…

Eu já disse aqui que falo demais, e segundo minha saudosa avó, quem fala demais dá bom-dia a cavalo. Pois é, dá bom-dia, boa-tarde, boa-noite… Mais de uma vez eu disse coisas que depois não tinha como consertar. E fora é coisa do capeta, se você tenta consertar aí é que fica feio mesmo. E normalmente nascem daquelas conversas que nem tem razão de ser, perfeitamente dispensáveis.

O fora mais antigo que consigo me lembrar, que deve ter se dado logo no início de minha carreira de “forista”, foi na quinta série. Estávamos eu e uma colega de escola, enorme ela por sinal, muito maior que todas da minha classe, um verdadeiro monstro, sentadas no banco de reserva na hora da Educação Física, assistíamos ao jogo, quando o seguinte diálogo se passou:

– Jogam bem as meninas, né?

Como ela nunca me dera bola, apressei-me a concordar, claro que jogavam muito bem sim.

– E o que você acha da Marisa?

Naturalmente queria saber das qualidades técnicas da garota, mas a tonta aqui que tava com a tal Marisa atravessada (a guria não me passava) e com a santa honestidade que Deus me deu (em má hora, diga-se de passagem):

– Ah, uma vagabunda!

E ante os olhos atônitos da colega dois-metros-maior-que-eu-tanto-em-altura-como-em-largura, fui desfiando o que eu realmente achava da dita cuja. Infelizmente, empolgada com a descrição das “qualidades” da mencionada jogadora, nem percebi os olhos dela, esbugalhados de espanto.

Quando acabei de falar ela, lívida, me explicou:

– Marisa é minha sobrinha, sou irmã caçula da mãe dela. E me espere na saída da escola.

Fiquei ali, atarantada, perguntando que mal eu fiz pra Deus, imaginando alguma doença, qualquer coisa que pudesse ser forjada a fim de ir embora mais cedo pra casa, adiando assim o tal encontro “na saída da escola”.

Bem, não deu. Na saída a tal colega me esperava com seu uniforme que mais parecia uma barraca de camping de tão grande que ela era e uma cara de botar medo aos capetas no inferno.

Surra? Claro que levei, e das boas, e mais ainda teria apanhado se não tivesse aproveitado um momento de hesitação dela (foi tomar fôlego pra me bater mais ainda) e seu tamanho avantajado e não tivesse escapado passando por debaixo das pernas dela. E corri, hein? Meu Deus, como eu corri…

Depois desse, dei muitos outros foras, de maior ou menor gravidade, claro que com consequências (físicas, pelo menos) menores e menos doloridas. Mas eu não sou a campeã, tenho uma amiga que se poderia chamar de “Rainha dos Foras”. E não se emenda, dá um atrás do outro.

Há uns anos, na Festa do Peão da minha cidade, ocasião em que todas as entidades armam lá sua barraca pra vender alguma coisa e arrecadar fundos, essa prezada amiga dançou e bebeu a noite toda, lá pelas tantas, já meio “alegre”, chegou numa dessas barracas, bateu com a mão na mesa e exclamou, em alto e bom som:

– Quero uma cerveja, mas que seja uma cerveja bem gelada, de cerveja quente eu já to cheia!

Todos nas mesas vizinhas pararam com seus copos no ar, olhando-a. Ela não entendeu nada até que se aproximou dela uma mocinha, e em voz mais ou menos baixa lhe disse:

– Moça, aqui é a barraca da Liga Anti-alcoólica. Só temos refrigerante. A senhora não quer uma Coca-cola?

Ela não queria. Saiu de lá aos trambolhões, procurando um buraco pra se enterrar.

(escrito por Zailda Coirano)